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RODRIGUEZ REMOR
FAGULHA PERDIDA EM MEIO AO FOGO
8 DE ABRIL A 8 DE JUNHO DE 2021

Fagulha Perdida em Meio ao Fogo, a nova exposição do duo Rodriguez Remor, Denis Rodriguez e Leonardo Remor, apresenta fotografias, pinturas, desenhos e três instalações, sendo uma participativa. A maior parte dos trabalhos foi realizada durante a residência Entre Nós, no Mosteiro Zen Morro da Vargem, no Estado do Espírito Santo, em fevereiro passado. 


Entre práticas diárias de zazen e o silêncio da Mata Atlântica, os artistas trabalharam com os materiais disponíveis no mosteiro, e sobretudo com a vela, produzindo pinturas com esse material que é quase um sinônimo de espiritualidade. Para eles, a vela nos conecta com a poesia do presente e a impermanência do instante. 

“De matéria sólida, a vela se transforma em ausência, deixando apenas seu rastro de fuligem e seu calor, que rapidamente se dissipa. Primeiro luz, depois sombra. A forma transformada em vazio.” Rodriguez Remor

A repetição, a não dualidade, a atitude de não deixar rastros, a renúncia à ideia de produzir coisas especiais, em outras palavras, a concentração no nada especial, todos esses preceitos zen budistas podem ser percebidos nas obras. O aforismo “Tempo sem Começo, Futuro sem Fim”, oferece uma nova perspectiva para a interpretação da série de fotografias Eterno Presente. Desde 2015, na região da Chapada Diamantina, onde residem, os artistas documentam pinturas rupestres ainda não mapeadas pelo IPHAN. Nessa série o duo revela seu fascínio pelas expressões culturais da América anteriores ao contato com o colonizador. Eles entendem que as pinturas rupestres precisam ser sempre percebidas em conjunto com o espaço, ou seja, caverna e pintura são indissociáveis. Eterno Presente propõe uma experiência alicerçada na realidade física do espaço da caverna, explorando o potencial tridimensional dos murais ancestrais, mesmo mantendo a fotografia como suporte. 

 

A tensão entre fotografia e cerâmica resulta na instalação Exploding Galaxies, uma ampla mesa que apresenta fotografias que documentam ações na natureza, sobrepostas por esculturas. Nesta série fotográfica, intitulada Pequenas Práticas, a dupla realiza intervenções sutis em ambientes naturais, alterando escalas e a leitura visual das imagens. A partir dessas fotografias, eles criaram esculturas negras e brancas, produzidas na escola de cerâmica do mosteiro zen. Essa instalação dialoga com os Impromptus, práticas instantâneas em espaço público do artista filipino David Medalla, falecido recentemente. 

 

Fagulha Perdida em Meio ao Fogo é um hiato poético, um instante meditativo em meio ao fogo cruzado de informações falsas e algoritmos selvagens, em um contexto de fratura social e polarizações políticas, de crescente esquizofrenia, resultado de uma realidade de isolamento e pandemia por tempo prolongado.